13 de novembro de 2023

B.E.L.A


Não dava para esperar mais. Esperar até terça? Impensável. Ela estava sofrendo. Aguentando dores inimagináveis. Estava tratando de uma doença que a acometeu no início do ano. Ela não reagia as medicações conforme esperado e a doença só ia a enfraquecendo. Uma semana avaliando as suas reais condições e diante de um quadro irreversível veio a decisão que não gostaríamos de tomar, mas que iria poupar ela do sofrimento. 

No domingo de manhã, por volta das 10h, adentrei naquela sala de cirurgias do PetShop e ao ver a Bela deitada naquela maca, não segurei o choro. De uma hora para outra, fui parar em uma realidade paralela que nunca imaginei vivenciar... Lá estava ela, fraca, debilitada, dormindo. Nunca vou esquecer quando minha mãe começou a chamar por ela e ela abriu seus olhos, esforçando para acompanhar com o olhar o que minha mãe falava. Ela estava se despedindo de nós. E nós estávamos ali com ela em seu último suspiro. Choramos muito em seus últimos instantes de vida. Quando a veterinária chegou para fazer os procedimentos finais, confesso que foi um momento dolorido. Ela deu dois suspiros fortes até que veio a falecer. 

Cara! Que dor! Dor! DOR!

Bela,

você foi a gata mais doce, meiga, carinhosa e compreensiva que pude conviver nesses 16 anos. Você esteve nos momentos mais dolorosos e enfrentou conosco muitas dificuldades. Me lembro em como parecia que você tinha consciência das dificuldades que assolava nossa casa, como algumas vezes em que não tínhamos dinheiro para comprar sua ração, você esperava pacientemente até a noite e corria ao ouvir o barulho da ração que meu irmão mais velho trazia. 

Você sempre foi uma gata dócil. Sempre acolhia os outros gatinhos que levávamos pra casa como seus filhotes. E quantas e incontáveis noites você me consolou? Quantas e incontáveis vezes você curou minhas feridas, lambeu minhas lágrimas, me deu sua energia, seu carinho, seu amor? Vou sentir falta das suas massagens mágicas, do seu pelo branco em minhas roupas pretas ou mesmo na comida. Vou sentir falta der dar aqueles "tapinhas" no seu bumbum chamando você de "safada".

Eu só tenho a agradecer ao universo, a vida, a vezona por ter te levado e nos dado esse "presente". 

Muito obrigada por ter me ensinado que animais também são cheios de afeto, ternura, amor. Você me tornou mais "humana" e me ensinou lições importantes de resiliência, de força e nunca, nunca, nunca reclamar das situações por mais difíceis que estejam. 

Descanse, minha linda, você merece... Que você seja feliz no "céu" dos gatos. 

E te encontro no plano astral quando minha jornada terminar.   








Te amo Bela!


21 de outubro de 2023

Perdoai-nos as ofensas ...

 


Assim manda a oração que o Pai ensinou: perdoai-nos as ofensas assim como perdoamos quem nos tem ofendido. Todavia, estou um pouquinho cansada para perdoar pessoas que erram com intenção, que cometem maldade com conhecimento e não são nem um pouco ignorantes ou ingênuas em seus atos. 

Fala-se tanto em perdão que a palavra parece doce em seus lábios. Mas acho que você confundiu perdão com fingimento e hipocrisia. Você diz que sua intenção não era me ofender, mas sim me condenar. Você me condenou no inferno que existe em sua mente e é alimentado por um deus mesquinho e vingador. Mas esse deus não é o meu Senhor, não contempla nem 1/3 da sua Força, do seu Espírito, do seu Amor. 

Quando Jesus dizia para seus discípulos que não era o que entrava pela boca do homem que o contaminava e sim pelo o que saía de seus lábios, Ele estava plenamente correto sobre os domínios da maldade e como NINGUÉM tem o coração 100% puro. A maldade é uma erva daninha, com raízes profundas no espírito e que devem ser eliminadas através do verdadeiro autoconhecimento. Se existisse em você um pouquinho de empatia, você não teria feito o que fez. Contudo, entretanto, todavia... você o fez com conhecimento, com maldade, com intenção. Não me assusta o fato de ser alguém "condenável" segundo sua doutrina e tampouco quero o mesmo céu que você e as pessoas da sua congregação. Me assusta o fato que você fez o que fez e pediu desculpas como se não tivesse sido nada. 

Mas eu deixo para que Deus te perdoe e perdoe as várias vidas que você já jogou mulheres na fogueira e cortou-lhe cabeças. 

Enquanto eu caminho livre, você se aprisiona no seu medo, na sua loucura, na sua mediocridade.  

20 de outubro de 2023

Mais um episódio de intolerância religiosa para minha lista...

 


Ei gente... queria dividir com vocês um episódio que aconteceu comigo essa semana no meu trabalho. É justo aquela situação que te pega desprevenido e que você não espera, muito menos de alguém que vc deposita algum tipo de confiança e você fica se  questionando muitas coisas sobre a vida, sobre a forma como a religião pode "aprisionar" o pensamento de um ser em um único ponto e fazê-lo enxergar como se fosse a verdade única, inquestionável e que lhe permite julgar todos os outros pontos de vistas contrários ao seu como errados. 

Eu estudo tarot tem muitos anos. Desde 2010 adentrei nesse estudo esotérico, comprando livros, fazendo cursos, me dispondo a jogar para muitas pessoas. Já fiz atendimentos para pessoas de outro estado e país. E geralmente, essas pessoas chegavam por indicação e essa é a melhor propaganda que se pode ter: o boca a boca! Vc ter seu trabalho divulgado pq uma pessoa gostou da forma como vc joga. ... E esse é um universo que eu me sinto bem, que eu estudo porque gosto pra caramba. Não sou uma tarologa exímia, pois erro bastante; mas sou uma tarologa que conhece suas limitações com relação a conhecimento como também sabe o poder que as cartas podem ter nas decisões individuais, como elas podem servir para nortear caminhos, fazer a pessoa se "centralizar", fazer clarear as situações ante nubladas...

Mas... não é a primeira vez que alguém extremamente religioso chega até mim, dizendo que o tarô é coisa do diabo. Logo nos meus primeiros anos de estudo, na empresa que estagiei chamada Plascar aqui em Betim, tive que ouvir de um "peão" que meu livro era coisa do "demônio". ... Ou mesmo ouvir da minha ex-cunhada que não queria que eu tirasse tarô na casa dela porque ia contra sua religião Católica e pasmem, ela nem frequentava a igreja assiduamente. Já tive que bloquear um sujeito chamado "Itamar" porque ele não concordava com minhas praticas espirituais. Isso tudo me faz pensar: por que nos preocupamos tanto como a forma que o outro vive e por que não cuidamos da nossa própria vida?

Essa semana, uma colega de trabalho me deu uma revista chamada Sentinela. Ela é testemunha de jeová. Ela disse que tinha lido a revista no final de semana e que havia pensado em mim e resolveu trazê-la pra eu ler. Eu lembro de ter comentado com meu marido: "tenho certeza que vai ser uma revista com uma matéria falando mal do tarô e essas práticas esotéricas". Dito e feito. Na terça-feira ela me entregava uma revistinha e lá tinha uma matéria falando especificamente mal e condenando a astrologia, as cartas, as "adivinhações" do futuro e que praticava tais coisas. De fato, eu já previa uma revistinha condenando... e até aí, nada de novo debaixo desse sol... mas me bateu uma certa tristeza por ainda existirem pessoas por aí que acham que são melhores que as outras por causa da religião, que acham que seus caminhos são mais certos que outros... que somente eles detém a salvação e que quem não segue a mesma religião estão fadados ao pecado, ao "inferno". 

Eu tratei a situação como uma ofensa pessoal. Afinal, por que ela me daria uma revistinha que atacasse justamente coisas que eu estudo há tantos anos? Eu poderia ter me calado, como fiz outras vezes... mas dessa vez, não me calei e levei o caso para o gerente da loja tratar. E ainda comentei com ele, ainda que na brincadeira, que isso se chamava "proselitismo religioso": pratica de buscar converter alguém para sua religião, doutrina, filosofia. O gerente tratou a situação da melhor forma possível e disse que conversaria com a pessoa em questão. E a conversa rendeu depois um pedido de desculpas com a frase: "não era minha intenção te magoar". E eu falei: assim como você tem praticas que validem sua experiência na sua fé, eu também tenho práticas, vivências e experiências que constroem minha fé na espiritualidade, nas leis do universo, nos meus estudos de tarô, nos mapas astrais que faço. Dei exemplo dos meus sogros que são católicos e que participam de muitas atividades na igreja (como ministros da palavra, da música), já ajudei na época da pandemia a igreja que eles frequentavam me dispondo a trabalhar de modo voluntário ... E eles nunca vieram falar comigo que eu estava errada nos meus estudos, que devia parar de estudar tarot, astrologia... espiritismo! Existe respeito. Eu respeito sua fé e espero que respeite a minha. 

Na minha vida social, eu pouco falo dessas coisas, pois não quero forçar ninguém a acreditar em cartas de tarô... na astrologia, no carma, no espiritismo. Eu geralmente fico na minha. Somente quando me pedem opinião que aí posso conversar de coisas que são meu "hiperfoco". E sabe o que me entristece... são pessoas como essa colega que não se colocam no lugar do "outro" e tomam ações como essa, dizendo que foi sem intenção, como se fosse algo absolutamente normal. E se fosse ela, recebendo uma revistinha falando mal da religião dela? Será que ela não ficaria incomodada? Será que ela não se sentiria invalidada ou mesmo desrespeitada? 

É a reflexão de hoje. Se são efeitos do Pós-eclipse ... pois li que seria normal a partir desse momento... "muitas máscaras" ao seu redor caírem... sei lá! Só sei que coisas assim me lembram a velha máxima do universo e que estamos muito longe de alcançar: não fazeis ao outro aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco.

6 de outubro de 2023

Fui na minha primeira sessão de Avaliação Neuropsicológica...

Uma coisa eu tenho certeza: eu não sou normal. Não quero ser diferente de ninguém e nem usar tal afirmação para me destacar entre os meus semelhantes... mas é fato que eu sempre me senti deslocada do meu meio. Vivi décadas achando que há algo de errado em mim, com a forma que eu enxergo o mundo, com minha instabilidade emocional, com meu lado antissocial, como lido com minhas relações e amizades (que quase não tenho), com minha falta de propósito existencial e com minha memória péssima para recordar coisas do meu cotidiano. 

No começo do ano, meu irmão mais novo foi diagnosticado com TDAH. Minha irmã mais velha tem deficiência auditiva plena e autismo em um grau muito forte. E aí eu comecei a suspeitar que posso não ser muito "normal". Comecei a devorar tudo sobre o assunto, principalmente, o autismo. E é impressionante como as características batem em praticamente tudo. E essas características não começaram a se manifestar agora, mas é algo que vem lá da minha infância, minha adolescência e agora, fase adulta. Recebi uma indicação do meu irmão mais novo (diagnosticado em TDAH) e que também é médico para procurar a chamada Avaliação Neuropsicológica e assim que eu tivesse o laudo e constatar de fato algum transtorno, levá-lo a um neurologista para cuidar mais de perto dessa condição.

Entrei em contato com duas Neuropsicólogas para me informar dos valores e pasmem, uma avaliação neuropsicológica custa aproximadamente R$1800,00. E lá tenho dinheiro para fazer isso? Quando as pessoas pensam no valor, como eu penso e acho muito caro, muitas preferem viver sem o diagnóstico do que procurar ajuda médica. Mas como dizia um velho ditado: quem procura, acha; eu encontrei por indicação um lugar que faz a avaliação neuropsicológica por um preço mais acessível de acordo com sua condição financeira. Chama-se "Caminheiros do Bem" e fica no bairro Angola (em Betim). Tem uma página deles no Instagram, o telefone de contato tá no perfil deles que dá para ser acessado sem ter uma conta no instagram. Alias, eu deletei de vez o Instagram e Facebook. Espero não retornar para elas tão cedo. 

Fiz minha primeira sessão neuropsicológica. Serão 12 no total. É muito cedo pra falar alguma coisa. Mas vou trazer aqui o resultado dela, afinal, o blog continua sendo meu diário.


Quanto mais reza, mais assombração aparece


Há quem goste de proferir tais palavras do título. Sempre ouço um falar: "acho que não estou rezando direito". Ou quando você está naquela maré de azar e uma coisa ruim acontece atrás da outra, você já pensou: "estou precisando ser benzido". Do nada tudo muda. A vida que parecia linear e estável, se torna movimentada, instável, caótica. E lá está você, tentando lembrar todas as orações que conhece, pedindo ajuda a Deus, seus Orixás, seus Guias Espirituais, seu Anjo da Guarda, o Universo. Você reza com fé, sem fé, descalço, no banho... no trabalho. E parece que o telefone do lado de lá só toca, toca e não atende. Será que Eles cortaram a linha por falta de pagamento? Você não pagou as contas anteriores, esqueceu das promessas feitas aos pés da Santa e agora tá ligando para pedir mais? 

As dificuldades vão crescendo e sendo alimentadas constantemente pela sua preocupação. A sensação é essa mesma: só aparece assombração e talvez seja isso mesmo, você não está rezando direito. Sua oração pode ser um amontoado de palavras bonitas, mas não tem qualidade, não tem vida e espírito. 

Tive um outro insight sobre essa frase.

A oração, na verdade, está te afastando do mal. O Mal percebendo seu pequeno movimento em direção a Luz, vai fazer de tudo para te atrapalhar, te colocar para baixo e te fazer desistir de estabelecer uma conexão sincera com sua Espiritualidade... E aí a sensação que dá é essa mesma: quanto mais rezo, mais assombração aparece. Seu esforço em direção a Luz está dando resultado e por isso, o time darkside fica querendo te assustar e te deixar com medo. 

Eu vou pensar agora toda vez que ouvir alguém perto de mim falar isso e ainda vou dizer: "continue suas orações, está dando certo sim. Logo você será atendido no que pede".