17 de outubro de 2026

Gestos que salvam nosso coração...

 

A última lembrança que guardo de você é a sua gentileza. Ela me pegou desprevenida, chegou sem aviso, quando eu já não esperava mais nada. Talvez, para você, aquele simples gesto não tenha significado coisa alguma. Talvez tenha sido apenas um ato espontâneo, desprovido de qualquer intenção maior. E, de fato, talvez tenha sido exatamente isso. Todavia, para alguém que passou tanto tempo tentando encontrar respostas para tudo, um gesto inesperado como aquele simbolizou a paz que, por tanto tempo, procurei entre nós.

Durante anos, senti que nós dois éramos como uma sinfonia inacabada. Nunca nos sentamos para ouvir o que havíamos composto, para reconhecer os acordes que deixamos pelo caminho ou tentar dar um desfecho àquela melodia. Algumas notas se perderam, outras jamais encontraram seu lugar. Tudo permaneceu solto, incompleto, sem uma conclusão que pudesse aquietar meu coração. Era um ruído estranho, desconfortável, que me acompanhou por anos e do qual eu não sabia como me libertar.

Você, ao que parecia, desistiu de consertar aquela música. Guardou-a em uma gaveta empoeirada, daquelas que raramente abrimos, e seguiu a vida sem precisar escutar novamente a melodia. Eu, por outro lado, deixei a nossa sinfonia em um lugar visível. Olhava para ela quase todos os dias, procurando entender onde havíamos desafinado, qual nota poderia ter mudado tudo ou o que eu ainda poderia fazer para reparar aquilo que, talvez, já não tivesse conserto.

Mas o tempo passou. E, quando vi você seguir o seu caminho, comecei, pouco a pouco, a olhar para os meus próprios passos. Percebi que também precisava escolher uma direção, ainda que não soubesse exatamente para onde ela me levaria. E assim a vida foi se desenhando: dois caminhos distintos, que se afastaram o suficiente para que deixássemos de fazer parte do cotidiano um do outro.

Não sei em que momento deixei de esperar por alguma coisa vinda de você. Talvez tenha acontecido aos poucos, entre uma ausência e outra, até que a expectativa se tornasse pequena demais para ser percebida. Por isso, quando sua gentileza surgiu, não soube muito bem o que fazer com ela. Não havia planejado aquele instante, não havia criado hipóteses sobre o que poderia acontecer. Pela primeira vez em muito tempo, não precisei interpretar suas palavras em busca de algo escondido. Havia apenas um gesto, simples e inesperado.

E foi justamente a simplicidade dele que me tocou.

Aquele gesto não apagou o passado, não corrigiu os desencontros e tampouco transformou a nossa história em algo diferente do que ela foi. Não significou, necessariamente, que algo havia mudado entre nós. Mas me trouxe aconchego. Um aconchego discreto, difícil de explicar, que nasceu da constatação de que, apesar de toda a distância, ainda existia alguém ali. Alguém que, diante de um pequeno problema meu, foi capaz de estender a mão e me ajudar a resolvê-lo.

Talvez você nunca saiba o quanto aquilo significou para mim. Não porque tenha feito algo extraordinário, mas porque eu já não esperava aquele tipo de gentileza de você. Depois de tanto tempo tentando encontrar uma conclusão para o que vivemos, recebi algo que não se parecia com uma resposta, mas que, de alguma forma, trouxe quietude ao meu coração.

A nossa música pode continuar inacabada. Já não preciso encontrar a última nota, nem voltar àquela gaveta para tentar reorganizar o que ficou para trás. Algumas histórias não terminam com explicações, pedidos de desculpas ou conversas definitivas. Às vezes, terminam dentro de nós, quando deixamos de exigir delas aquilo que nunca puderam nos oferecer.

E, se aquela foi mesmo a última lembrança que terei de você, fico com a sua gentileza. Não como um sinal de que nossos caminhos voltarão a se cruzar, nem como uma promessa de que ainda há algo a ser vivido. Fico com ela porque, naquele instante, senti um aconchego que já não esperava encontrar. 

Porque descobri que nem todo gesto precisa reparar uma história inteira para ter valor. Às vezes, basta que alguém nos ajude a resolver um pequeno problema para que, por alguns instantes, o passado deixe de pesar tanto.

 

11 de outubro de 2026

A vida dá um jeito de realizar cada coisa no seu tempo...

 



A busca por um significado profundo perde o sentido quando o óbvio finalmente se revela. Aquelas confusões que antes perturbavam minha mente hoje parecem episódios de uma época distante. Tudo está mais simples, mais leve, sem tantas complicações.

Cheguei a uma fase que aquieta minha alma, que outrora vivia sedenta por perguntas. Não é que eu tenha esquecido as lições importantes, muito menos tudo aquilo que me trouxe até aqui. É apenas que, agora, já não sinto a necessidade de buscar respostas para tudo, nem de levantar hipóteses sobre um futuro que talvez sequer exista. Minha mente finalmente parece ter aceitado que nem toda possibilidade precisa ser explorada, nem toda pergunta precisa de uma resposta. Afinal, não existe o “E se...?” quando aprendemos a habitar o presente.

Sinto que rompi um ciclo que me mantinha presa ao passado. Sinto que parei de dar voltas ao redor de mim mesma, tentando encontrar, em cada curva, uma resposta que talvez nunca tenha existido. E sinto, também, que o Universo movimentou seus pauzinhos para me conduzir a uma nova fase. E que fase!

Não me parece justo reclamar quando tantas mudanças recentes são respostas a orações que fiz em silêncio. Viver o que estou vivendo me faz acreditar que existe uma orquestração divina em acontecimentos que, vistos isoladamente, talvez parecessem apenas coincidências. Seria isso graça? Uma dádiva imerecida? Ou apenas a vida encontrando caminhos que eu ainda não conseguia enxergar?

Se alguém me dissesse, há três meses, que tantas coisas mudariam em tão pouco tempo, eu provavelmente não acreditaria. Mas deixa eu te contar uma coisa: permita-se imaginar. Mentalize, visualize aquilo que você realmente deseja. Não como quem tenta controlar cada detalhe do futuro, mas como quem abre espaço para que novas possibilidades encontrem o caminho até você.

A vida tem seus próprios movimentos, seus desvios e seus mistérios. Nem sempre acontece como esperamos, nem sempre no tempo que desejamos. Mas, às vezes, quando deixamos de tentar antecipar cada capítulo, percebemos que a história já está se transformando.

Talvez seja isso que eu esteja aprendendo: nem tudo precisa ser decifrado antes de ser vivido. Há momentos em que a melhor resposta não chega em forma de explicação, mas de experiência. E, quando finalmente olhamos ao redor, percebemos que aquilo que um dia parecia tão distante já faz parte da nossa realidade.

Hoje, não quero mais viver à procura de sinais de que tudo dará certo. Quero apenas estar presente para reconhecer a vida quando ela acontece.

E, dessa vez, quero vivê-la sem perguntar o tempo todo: “E se...?”

15 de junho de 2026

Every song is a scar

Every star is a pub

Every silence is a bar in a score

Hiding the true music

You know what I mean

Like you always knew

The meaning that feels left

It's life keeping you out

Of being locked in a prison of knowing it all

Knock yourself out... Now!


I told you it was the last verse

But I lied

I told you I'll see you around

When I decided that I'll never leave your mind

Until you see me no more

Because I already walked out of that door

Where you and me are no longer different selves

But different chapters of the book of love

Verses talking to verses

Like the past melting into the future it touches

Like making love that loves making

The original kiss

The sin that makes us saints


So this is the last verse

Goodbye!

I'll be around

Just be around

Perpetuum mobile ex moto perpetuo

Infinitely taking the equilibrium

Out of its center

Into the Dance

18 de maio de 2026

Adeus em sombras e palavras...

 


O vento gélido da pelumbra trouxe até mim seu beijo. Senti seus lábios suavemente tocando meu rosto. Não era um beijo de chegada, mas sim, de partida. Era um adeus cheio de amor, de afeto, de querer e carinho. O silêncio de uma noite fria e estrelada fez com que aquele breve instante fosse sagrado entre nós. Fechei meus olhos e com o coração dolorido, tentei guardar a sensação antes que o vento a levasse embora de vez. Eu não estava pronta para lhe dizer adeus, pensei em um "até logo", mas por que você escolheu logo Adeus? 

Havia algo cruel transvetido de ternura. Seus lábios diziam "eu amo você", enquanto sua presença desvanecia lentamente em borrões escuros que se misturavam com a aurora. Era como assistir uma estrela morrer em um violento silêncio. Mesmo escolhendo ir embora, nos cantos da memória, uma dor discreta despertava em manhãs vazias. Essa dor paraiva ali, solitária e latente; me fazendo preferir sua companhia por mais que isso me fizesse sangrar por dentro.

O seu adeus veio com um beijo. Me lembrou o ato de traição mais conhecido da humanidade. 

Talvez, essa seja a ironia mais amarga de amar alguém: gestos criados para demonstrar afeto também carregam o poder de destruir. 

Desde então passei a andar por essa terra desconfiando de atos de ternura. 

Algumas carícias não anunciam bem-querer e assim como um beijo pregou Cristo na cruz; eu, ingênua e tola, acreditei no amor e me alimentei desse amor que você me deu. Agora sei que esse amor puro matou minha inocência. Judas não traiu Cristo com ódio, mas com a mesma ternura que você usou para me destruir e agora carrego a sina de desconfiar de todo gesto de carinho que passou a carregar o peso silencioso de uma despedida...

...


Alguém achou o celular na rua e resolveu perguntar para o CHATGPT como era o dono desse celular, ele respondeu:

 


Eu diria que ela parecia cansada há muito tempo...

Não necessariamente cansada fisicamente, mas mentalmente. Como alguém que pensava demais sobre tudo e raramente conseguia descansar dos próprios pensamentos. Tinha dificuldades de viver as coisas sem analisar, reinterpretar ou imaginar cenários paralelos.

O tempo todo ela buscava direção. Era fácil para ela se distrair e se perder entre quereres e desejos. Uma hora seu foco era na carreira, outrora espiritualidade. Relações pessoais, trabalho, projetos; ela parecia alguém tentando encontrar uma versão de si mesma que finalmente encaixasse. Acho que ela nunca se sentiu totalmente pertencente a algum lugar. 

Tinha uma necessidade forte de validação, embora provavelmente não gostasse de admitir isso. Queria ser reconhecida como inteligente, profunda, capaz. E sofria quando sentia que as pessoas não enxergavam isso nela. Ao mesmo tempo, desconfiava muito da opinião alheia. Vivia num conflito constante entre querer aprovação e rejeitar julgamento.

Em alguns momentos, pareceu estar presa em algum ponto do passado. Algumas histórias antigas ainda ocupavam espaço demais em sua mente. Parecia ter dificuldade para aceitar que as coisas acabaram sem uma conclusão perfeita. 

Ela parecia solitária. Mesmo estando casada, mesmo falando com pessoas, mesmo produzindo conteúdo para seu canal. Existia uma distância entre ela e os outros. Um vazio existencial inexplicável. Era como se uma parte dela estivesse observando de fora, traduzindo tudo mentalmente ao invés de participar conscientemente do presente. 

Percebi sua oscilação entre ambição e desistência em nossas conversas. Em alguns momentos acreditava muito no próprio potencial; em outros parecia convencida de que era limitada, atrasada ou incapaz. Não por falta de inteligência, mas por excesso de autocrítica e medo de escolher errado.

Se eu pudesse falar algo para ela... eu simplesmente diria: para ela parar de gastar energia tentando prever consequências emocionais futuras. Antecipar arrependimentos, perdas, rejeições, fracassos; como se pensar em tudo isso amortecesse o impacto das coisas. No fim das contas, você só sofre várias vezes pela mesma situação. 

Também diria para ela não confundir intensidade com profundidade. Nem toda dor esconde um grande significado. Nem todo vínculo antigo é destino. Algumas coisas só machucaram. Faz parte. Muitas das dores que você sente, são muito humadas, repetidas, sentidas silenciosamente por milhões de pessoas. Não transforme sua vida em um caso a ser analisado. Viva. Sinta. Permita-se ser imperfeita. Você não precisa se tornar alguém "extraordinária" para justificar sua existência.