14 de setembro de 2019

Viva um dia de cada vez...






As coisas se ajeitam vivendo um dia de cada vez.

É impressionante como os males de um dia são mais suportáveis no outro dia. A gente se desespera diante a um problema achando que ele não tem solução. Mas quando você deita a cabeça no travesseiro, você lembra de pedir a Deus mais força para suportar as dificuldades que se apresentou neste dia. E aí, a mágica acontece. No dia seguinte, você acorda com a cabeça mais tranquila, acorda mais disposta a encontrar novas formas de resolução para o seu problema e percebe que ele não é um bicho de sete cabeças. Olha a bagunça que seu desespero fez dias atrás. Serviu para alguma coisa? Absolutamente, não.

O medo nunca poderá ser uma sensação a qual devemos apoiar nossa vida. Se vivermos com medo nunca sairemos do mesmo lugar e os problemas poderão se tornar maiores do que realmente são. Você acha que não tem solução para algo? Acalme o espírito, esvazie a mente e verá que existe solução sim. Se acha que seu fardo está pesado demais, não demore para pedir ajuda. Fale com Deus que esta cruz é pesada demais para se carregar sozinho e Deus colocará no seu caminho seus anjos para ajudar a carregar o peso. Tudo ficará mais leve para seus ombros quando aceitar a ajuda de seus familiares e amigos. 

E não se preocupe. Tudo é cíclico, é passageiro. Nenhum mal é eterno. Nenhuma dor é eterna. Há sempre uma solução, há sempre uma esperança, há sempre um novo caminho e muitas oportunidades virão ao abrir as portas para um recomeço. E as coisas vão se ajeitando vivendo um dia de cada vez. E as coisas vão se ajeitando vivendo um dia de cada vez.

8 de setembro de 2019

Não me cobre, por favor...




Por favor, não faça isso comigo. O que mais odeio no mundo é fazer as coisas de modo obrigado. Já não basta o fardo que o Universo colocou em meus ombros para carregar sozinha agora tenho também que carregar suas cobranças em relação ao que deveria fazer? Por favor, não faça isso comigo ou faça e me partirei no meio em dor e desespero.

Já estou tendo que enfrentar minhas decepções; estou tendo que encarar minhas mágoas mais profundas e isso é muito além do que consigo suportar. No ápice do meu pessimismo, chego a pensar que a existência é uma pura experiência de sofrimento com poucos momentos genuínos de felicidade, mas que na maior parte dela, somos submetidos a dor de ser quem somos: imperfeitos, fracos, e limitados. E neste momento, estou aceitando quem sou, aceitando minha natureza humana tão falha, tão pequena, tão pobre e mesquinha. Estou aceitando minhas feridas, estou aceitando também a ajuda de todos porque nesta bagunça toda, não consigo carregar isto sozinha... 

Não me peça pra conviver obrigatoriamente um tempo a mais que preciso. Já faço o que dou conta. Isso não é o bastante? Já vi o que precisava ver, já revelei o que não queria revelar de mim, já me expus por completo a ponto de deixar todas as feridas visíveis. E isso não é o suficiente para você? Não é o aprofundar de uma intimidade que tanto desejou? Agora que conhece minhas feridas, você sabe também como me machucar. 

6 de setembro de 2019

Menina boazinha...



Quando mais nova, tinha a síndrome do "salvador". Achava que sabia exatamente o que todos precisavam, dava conselhos imbuídos de "alto-ajuda". Sacrificava o saciamento de minhas necessidades pessoais para satisfazer o próximo.  Eu adorava esta imagem que apresentava aos outros: a moça boazinha que falava de amor ao próximo, que escrevia textos inspirados na cura através do perdão. Até que um dia, esta imagem desmoronou e a moça boazinha revelou seus ressentimentos. Suas feridas emocionais fediam; seu coração não estava totalmente aberto para o perdão. Havia raiva e frustração nela; havia também autopiedade e vitimismo; e suas explosões emocionais quase sempre colocavam tudo que ela tinha a perder...

Hoje, essa garota boazinha não existe mais. A bondade, ao meu ver, são para os justos e corretos de espírito. Uma qualidade moral sobre-humana que dificilmente é exercida nesta sociedade. Quando presenciamos atos genuínos de bondade, somos tomados por esta força tão vivenciada por Cristo. Todavia, deixei de lado este estigma de querer ser a todo tempo alguém "bom". Não tenho intenção de ser como Cristo e nem como indivíduos que viveram suas vidas de modo missionário. Não é minha intenção.  Eu também não tenho este chamado dentro de mim. Tudo o que quero por ora é ser humano e aceitar minha natureza apaixonada e mortal. Não tem problema nisso. Acho que estou no meu melhor momento, aceitando-me como sou, com meus limites e minhas confrontações. E por isso, não me cobro a ser quem não sou e a fazer o que não quero. Só faço o que dou conta e ainda que aos olhos alheios isto signifique "limitação ou pobreza de espírito", continuo fazendo o que posso fazer.

O momento atual me faz pensar que também posso ajudar sem me colocar num pedestal de "salvador". E isso não me obriga a amar o indivíduo que sirvo esta "ajuda". Não mesmo. O Amor nunca deve ser um ato de obrigação à alguém. E ainda que a raiva por seu passado me cegue em alguns momentos; eu tenho consciência de que aquilo que faço por ele é o que dou conta de fazer. Mas...
Se o que eu faço, tiver um pouquinho de amor e misericórdia, talvez minha alma não ande pelo limbo quando eu me for. Talvez, Deus não me puna por não ter aprendido a amar quem me rejeitou. Talvez, o Universo considere estes pequenos atos para não deixar que minha alma se perca. Talvez. Mas uma coisa é certa, eu não nasci para ser "salvador".   

29 de agosto de 2019

Meu pai




Deixa eu escrever para humanizar isto que estou momentaneamente sentindo.

Meu pai foi embora pro Japão quando eu estava com apenas 9 dias de vida. Deixou minha mãe com uma criança recém nascida e outra de 3 anos. Eu nem consigo imaginar a dor que ela sentiu ao ser deixada para trás com tamanha responsabilidade de educar dois filhos. Também não sei se meu pai sofreu abandonando seus filhos para ficar 26 mil quilômetros de distância. Não sei destas coisas e talvez, eu nunca venha saber o que realmente aconteceu no mundo interno de cada um. O que sei é que esta escolha trouxe consequências para vida de todos nós de modo negativo e também positivo. 

Negativo, no sentido, que crescer em um lar desestruturado, com a falta de um dos genitores, não é um ambiente idealizado e desejado pela maioria das crianças. Uma criança só se sente segura ao ver seus pais juntos. E estes pais irão oferecer suporte, segurança e proteção para que elas se desenvolvam com o estímulo de suas habilidades criativas. Crescer sem um pai por perto me trouxe sentimentos de inadequação e insegurança por muitos anos e sei que a sua ausência afetou meu psicológico. Contudo, o lado positivo é que minha mãe pode se relacionar novamente e desta relação nasceu meus dois irmãos que tanto amo: Ítalo e Clarice. E, a pessoa com quem minha mãe se relacionou, nos educou (eu e meu irmão mais velho) e nos deu uma bagagem cultural a qual agradecemos eternamente. Ele pode não estar hoje com minha mãe, mas sabemos que o papel dele em nossas vidas foi muito importante. 

Mesmo não vendo meu pai biológico, ele tentou diminuir a distância com presentes e cartas estes anos todos (28 anos no total). E nunca nos faltou financeiramente. Eu entendo tudo isso, mas sempre faltou alguma coisa que o dinheiro e os presentes nunca foram capazes de substituir. 

Em 2017, decidi que estava na hora de encarar o meu pai. Entrei em contato com ele e começamos o processo para tentar tirar o visto. Não deu certo nesta primeira tentativa. E neste mesmo ano, Eu e Daniel começamos a namorar e conforme fomos amadurecendo a relação, decidimos que iríamos juntos pro Japão. Para irmos juntos, precisávamos estar casados. Final de 2018 nos casamos, acreditando que meu pai seria nosso fiador para o certificado de elegibilidade. Estávamos correndo atrás de toda documentação, acreditando que meu pai nos ajudaria. Mas, descobrimos no dia do nosso casamento no religioso que a situação dele não estava muito boa. Ele estava passando dificuldades extremas e isso nos movimentou para trazê-lo de volta pro Brasil. Eu, meu irmão mais velho e Daniel, nos dividimos para pagar a passagem de volta. E com muito esforço, ele retornou para o Brasil após 28 anos morando lá no Japão, distante de todos seus familiares, distante de todos os seus filhos.

É difícil entender o propósito da vida. 

Você acha que está livre do ressentimento e que não culpa seu pai por nada até começar a conviver sob o mesmo teto. Aí, você começa a cobrar ele (silenciosamente) por não ter tido atitudes mais sensatas. Você começa a achar ele o ser humano mais egoísta do mundo. Ele foi egoísta, não? Eu tô sendo cruel no meu julgamento? Talvez. Deixou uma mulher recém parida com duas crianças para viver sua "liberdade" e isso não chama-se egoísmo? Viveu 28 anos no Japão e nunca preocupou em levar seus filhos. Nunca preocupou em manter a família por perto, nunca preocupou com os irmãos que ficaram, nunca teve compromisso em suas relações. Sua própria mãe morreu e nem no enterro voltou para se despedir. Você também começa a julgar ele por ter sido mulherengo, por não ter tratado as mulheres com respeito, por não ter sido fiel com sua primeira esposa. Você pinta ele como vilão e o acusa de não ter sido um bom pai pela dor que causou em sua mãe, pela dor de ter crescido em um lar desestruturado, pela dor que semeou com suas atitudes egoístas e gananciosas. 

É difícil ter que lidar com todo ressentimento que achei que não tinha. E tenho. Tenho muito ressentimento ao estar de frente com o homem que pediu para que minha mãe me abortasse quando descobriu que estava grávida de mim.

É difícil ter que encarar o homem que ele foi e o homem que agora é e saber que ele precisa de determinados cuidados. 

É difícil entender o propósito da vida. Mas eu entendo a força do desejo e no meu íntimo eu queria muito encontrar ele antes dele morrer. O Universo concedeu a dádiva. Estou aqui, em sua frente, lidando com toda mágoa que há dentro de mim, lidando com minha criança ferida que é incapaz de dizer que lhe amo, porque sei que o amor é construído no dia-a-dia. Mas, no momento só há dedos para julgá-lo. Eu estou entre aqueles que acusam. Não sou tão misericordiosa assim. E em meio a tudo isso, existem pessoas que ainda estendem a mão para ajudar e esse auxílio nunca irei esquecer. Nunca. 

Talvez ele venha a falecer sem que eu tenha aprendido a amá-lo e não vou me cobrar por isso, não vou me culpar por isso, mas devo à ele respeito e também minha compaixão. Eu estou tentando trabalhar o perdão dentro de mim. Mas uma coisa é certa: ele não estará mais sozinho daqui pra frente. 

22 de agosto de 2019

Texto N°1000



Quantas vezes vemos em jargões espalhados pela "New Age" a seguinte frase: "viva o agora" ou "viva o presente, pois o presente é tudo o que você tem". Se você sofre de ansiedade, talvez este lema seja o mais adequado para você. Contudo, mesmo para os ansiosos, não se pode viver sem ter planejamentos à longo prazo. É importante também viver o presente sabendo o que o que faz no agora pode ter uma repercussão na sua vida daqui 10 minutos, 1 dia, 10 anos. Se planejar, observar os melhores caminhos, ser comedido em seus investimentos, ter visão de crescimento a médio e longo prazo faz parte do seu desenvolvimento pessoal enquanto busca melhorias em todos os aspectos da sua vida.

Se eu tivesse um conselho a dar a todos meus leitores seria: viva a vida presente, mas não se esqueça de se programar para o futuro. E no que me refiro a isso? Me refiro a fazer o seu melhor no momento presente, agindo com honestidade, com trabalho e dedicação para que no futuro você possa colher bons frutos de seus atos. É fato. Existe uma Lei no Universo chamada: Causa e Efeito. Você pode muito bem não acreditar e eu respeito isso, mas ela existe e opera na vida de todos.

Vou exemplificar.

Conheci duas pessoas.

Uma que teve tudo. Teve oportunidade para conhecer um país estrangeiro: morar e trabalhar. Teve muitas terras em seu nome. Teve muito dinheiro também em suas mãos. Sua renda anual era de 80 mil reais. E esta pessoa não soube poupar. Perdeu tudo por falta de planejamento e visão a longo prazo. Tudo o que ele queria era viver o presente do modo mais intenso e superficial o possível, sem se importar com o seu "amanhã". 

A outra pessoa vinha de origem humilde. Começou a trabalhar em uma livraria como Office Boy. Parte do seu salário ele poupava e a outra parte usava para pagar contas. Com uma poupança adquirida de seu esforço; um belo dia, este patrão resolveu vender a livraria e esta pessoa a comprou. Esta pessoa teve visão a longo prazo, soube administrar seus recursos, poupar nas vacas "gordas" e se ajustar nas "vacas magras". Hoje, ele é sócio majoritário de uma livraria que mais ganha espaço em todo o País.      

E o que podemos aprender com estes exemplos à nossa volta? Busque seu aprimoramento pessoal com honestidade, com esforço, com trabalho e será recompensado no futuro e enquanto você tem força no agora, considere o tempo um aliado para fazer tudo aquilo que lhe compete.

Não espere chegar aos 70 anos e descobrir que perdeu tudo que tinha por falta de administração, por falta de poupanças, por não ser sincero em seus laços afetivos, por não se preocupar com a família e achar que "mandar dinheiro" resolvia a falta da distância física. Não espere chegar aos 70 anos para descobrir como suas atitudes impensadas podem ter causado dores nos corações alheios. Não espere, pois o tempo não espera por você se decidir...