18 de maio de 2026

Adeus em sombras e palavras...

 


O vento gélido da pelumbra trouxe até mim seu beijo. Senti seus lábios suavemente tocando meu rosto. Não era um beijo de chegada, mas sim, de partida. Era um adeus cheio de amor, de afeto, de querer e carinho. O silêncio de uma noite fria e estrelada fez com que aquele breve instante fosse sagrado entre nós. Fechei meus olhos e com o coração dolorido, tentei guardar a sensação antes que o vento a levasse embora de vez. Eu não estava pronta para lhe dizer adeus, pensei em um "até logo", mas por que você escolheu logo Adeus? 

Havia algo cruel transvetido de ternura. Seus lábios diziam "eu amo você", enquanto sua presença desvanecia lentamente em borrões escuros que se misturavam com a aurora. Era como assistir uma estrela morrer em um violento silêncio. Mesmo escolhendo ir embora, nos cantos da memória, uma dor discreta despertava em manhãs vazias. Essa dor paraiva ali, solitária e latente; me fazendo preferir sua companhia por mais que isso me fizesse sangrar por dentro.

O seu adeus veio com um beijo. Me lembrou o ato de traição mais conhecido da humanidade. 

Talvez, essa seja a ironia mais amarga de amar alguém: gestos criados para demonstrar afeto também carregam o poder de destruir. 

Desde então passei a andar por essa terra desconfiando de atos de ternura. 

Algumas carícias não anunciam bem-querer e assim como um beijo pregou Cristo na cruz; eu, ingênua e tola, acreditei no amor e me alimentei desse amor que você me deu. Agora sei que esse amor puro matou minha inocência. Judas não traiu Cristo com ódio, mas com a mesma ternura que você usou para me destruir e agora carrego a sina de desconfiar de todo gesto de carinho que passou a carregar o peso silencioso de uma despedida...

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