28 de fevereiro de 2014

Caminho do Amor

São duas feras que lutam para ganhar espaço dentro de mim. Dois lados irreconhecíveis, lados da mesma moeda, lados que fazem parte de mim. Não adianta correr, para onde iria? Procuro a saída, não existe saída. Estou sem opção, mas você tem uma opção. 

Faça uma escolha. 

É necessário fazer uma escolha? 

Pense. Sinta. Nade. Mergulhe e emerja. 

Faço uma escolha. Escolho o caminho do Amor. 

Mas você já sofreu tantas decepções! Você realmente que seguir por essa via? Quantas e incontáveis noites derramou lágrimas por um amor que não valia a pena? Quantas vezes você já sofreu e fez alguém sofrer na mesma intensidade? Quantos sonhos já foram destruídos? Quantos futuros já foram mudados quando se ouviu o “não”? Você realmente quer escolher esse caminho? 

Você irá sofrer, irá derramar muitas lágrimas e sentirá uma solidão imensa. Você, mesmo sabendo disso tudo, quer escolher o caminho do Amor?

Não adianta lutar ou resistir. Mesmo que eu sofra, me angustie, derrame incontáveis lágrimas e veja muitos dos meus acalentados sonhos serem destruídos, ainda escolho Amar. Mesmo que caminhe por espinhos, que seja retribuída pela ingratidão, ainda escolho o Amor. Mesmo que eu me desespere, sinta a mais completa solidão, não importa o tamanho da dor, ainda escolho o caminho que me leve a Amar Incondicionalmente. Por pouco, quase que deixo este caminho. Ele não é fácil, mas também não é impossível. O caminho que escolhi é vivenciar a vida através do Amor. Que eu me lembre dessas palavras, toda vez que me sentir confusa... Somente o Amor nos salva, nos liberta, nos impulsiona à Evolução. E mesmo que caminhe aparentemente sozinha, Ele estará me acompanhando, sempre me amparando. Escolho caminhar de mãos dadas com o Amor.



"O caminho que eu escolhi é o do amor. Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar. Escolhi ser verdadeira. No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem. É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver"
Clarice Lispector





14 de fevereiro de 2014

Qual foi a última vez?

Qual foi a última vez que você parou para observar o céu no final de uma tarde e se encantou com as nuances laranjas violetas, naquele firmamento imenso, fazendo você se sentir alguém intimamente ligado ao Universo?

Qual foi a última vez que você entrou pra dentro do seu quarto, fechou a porta e dedicou algum tempo do seu dia, exclusivamente para si?

Qual foi a última vez que você ouviu aquela música que te emociona ou aquele filme que você te marcou e pensou na necessidade de se ter alguém para compartilhar os momentos inesquecíveis da sua vida?

Qual foi a última vez que você se encontrou com aquele velho amigo, passaram uma tarde inteira conversando sobre a vida em assuntos que não tinham mais fim?

Qual foi a última vez que você disse olhando nos olhos da pessoa amada o quão importante ela é na sua vida? Qual foi a última vez que você olhou nos olhos dela, tentando transmitir com toda sua energia, seu amor? Qual foi a última vez que você disse “eu te amo”?

Qual foi a última vez?





Por mais que desejamos construir pontes, nos deparamos muitas vezes com paredões imensos, que solidamente nos distancia.



Qual foi a última vez que você abriu a porta e deixou o vento entrar, levando para longe todo o resquício de pensamentos ruins? Qual foi a última vez que você deixou a Luz te iluminar, a Energia Cósmica do Amor invadir seu ser... Qual foi a última vez que nos sorrimos pelo simples fato de estarmos juntos? Qual foi a última vez que você cantou na chuva, soltou sua criança interior e ficou pulando em poças?

Qual foi a última vez...?

5 de fevereiro de 2014

Por enquanto...


A cada escolha, um novo horizonte se abre e um futuro diferente se molda. Nem sempre sabemos aproveitar as oportunidades que surgem na nossa vida e ter que reconstruir uma nova oportunidade torna-se um desafio. Simples.  Enfrente-o. 

Onde está você, meu andarilho das estrelas? Estará a visitar outras constelações levando a graça de sua presença e iluminando quem te rodeia? Brilhe sempre, para que eu possa olhar para o céu e ver-te lá, sentindo sua existência a iluminar-me enquanto a distância de nossos corpos temporariamente separar-nos. 

Muito pior do que o ódio ou a raiva é a indiferença. Seria ela a antítese do amor? E suas atitudes por mais simpáticas que possam aparentemente ser, evidenciam apenas o Desejo de ser notada, sendo sustentado por migalhas de uma atenção que não é gratuitamente retribuída.  

O tempo mostra o quão efêmero são os laços e quanto mais tentarmos prender algo, mais ele escapará de nossas mãos e distante se fará.


Quando mais nova, vivia iludida na esperança de ter um amor eterno. Mas descobri que a Eternidade não existe neste plano e que amores eternos um dia acabam. O Amor é algo constante, um presente que se vive não do ontem ou do amanhã, mas do agora.  E eu irei amar você enquanto meu amor permitir você crescer...





19 de janeiro de 2014

Não existe Luz sem Escuridão...




Já tínhamos andado metade do caminho. Estava mal iluminado e a única fonte de luz que víamos, era o céu que estava absolutamente estrelado. Ela encostou-se a árvore como quem fosse sentar em suas gigantescas raízes. Pegou seu enferrujado cantil, abriu e antes de dar o primeiro gole, disse: 

- Estou cansada. Não conseguirei mais caminhar ao teu lado.

- Tudo bem. – respondi. – Daqui para frente irei sozinha. – espantada com sua afirmação.

- Você irá ficar bem sozinha? – perguntou.

A pergunta me causou certo desconforto. O quê é estar realmente “bem”? Há anos venho lutando para reconquistar minha liberdade. Adentrei por esse caminho, insegura e mesmo diante de tanta escuridão, por incrível que pareça, estou me reencontrando. Sua pergunta, entretanto, causou-me um súbito mal estar. Sua presença é como um analgésico para minhas dores. Será que conseguirei dar mais passos adiante sem ela ao meu lado? Acho que estou dependente demais, penso.

- Depende daquilo que você gostaria de ouvir – disse após pensar muito. – Certamente, não ficarei bem sem você. Confesso. Estou com medo daquilo que não vi e medo das sombras que me rodeiam. Tenho medo de não encontrar a “luz” e cair nas redes da escuridão que não tem fim.

- Já passamos por esse exercício, minha querida. A sombra e luz são as mesmas coisas, mas com intensidades diferentes. Uma depende da outra para existir e nenhuma das duas é dispensável no Universo. Só temos medo daquilo que desconhecemos, e só é desconhecido porque raramente temos a coragem para correr riscos, gastando muito tempo alimentando àquilo que temos receio. Finde suas apreensões encarando cada sombra que surgir no seu caminho. São importantíssimas para o conhecimento verdadeiro de si mesmo. 

Verdade. Penso. O que mais fazemos atualmente é relutar que interiormente a “escuridão” se faz presente. Não somos seres repletos de Luz. Aceitar essa condição é o básico para a iniciação neste caminho. E quanto maior é a Luz, maior também é a Sombra que ela se faz, por isso o cuidado é extremo para não cair nas armadilhas do Ego.

- Você ficou calada. – disse ela – algo que eu falei te incomodou?

- Um pouco. – falei. - Você sabe. Eu sou sensível demais e estou ainda me acostumando com a ideia que você um dia vai embora. Entretanto, isso parece tão normal para você, que aparentemente demonstra está no controle.

- Não estou aqui para te dar rosas e sim, espinhos. E é melhor que enfrente alguns, muitos, milhares para poder apreciar verdadeiramente a graciosidade de uma flor. E eu não estou me controlando, apenas penso que isso será bom para seu aprendizado. Estivemos em simbiose por tempo demais e eu estou cansada, já cumpri parte do meu carma, o resto é contigo.

Ela estava certa. Não posso deixar para que os outros resolvam aquilo que está sob minha responsabilidade. Sua companhia, por mais espinhosa que me parecesse, trouxe-me aprendizados. Mas, a jornada continua. O caminho está mal iluminado. Na minha bolsa carrego comigo, alguns pedaços de pão que peguei na velha estalagem, ervas curativas e meu livro. Não precisava de mais nada, já tinha tudo o que era preciso. 

Ela me acompanhou de volta ao caminho. Parou, voltou a me observar com ternura da qual pude ver em seu olhar. Deu-me um lampião velho, com uma chama que quase se apagava. Em seus olhos, senti aquilo que não ganhava forma com suas palavras: “sentirei saudades”. Também, pensei. Mas este era o meu caminho e não o dela. Nossas estradas apenas se cruzaram e aqui seria o momento onde deveríamos cada uma voltar para seus respectivos caminhos. Andei a passos vagarosos com o lampião que mal iluminava a via. Olhei para trás, para certificar-me que ela me acompanharia com o olhar, mas ela não estava mais lá. Olhei para frente e o que vi foi uma completa escuridão. Senti medo. Minhas pernas tremeram. Tornei a olhar pra minha mão e o que segurava era um velho lampião, com um resquício de chama que fora capaz de me iluminar até que o primeiro raio de sol surgisse no horizonte daquele dia...


16 de janeiro de 2014

A verdade vos libertará


Ao longo da construção da história da humanidade a intolerância quanto a sua crença religiosa sempre foi algo muito presente desde que o Homem se conhece como Homem. Uma das instituições mais poderosas do mundo possui uma face obscura e sombria, relutando em admitir que seus pilares estejam tão corrompidos por uma base dogmática, rigorosamente implantada na consciência de seus seguidores. 

Quantos inocentes derramaram seu sangue para sustentar suas colunas em nome de uma fé cega e isenta da verdadeira misericórdia ensinada por Yeshua?   E o que dizer das Santas Cruzadas, Santas Inquisições, venda de indulgências, que assassinou, roubou, enganou sob o nome de “Deus”? Que “Deus” é esse, que julga, mata, condena, pune e impõe rigorosamente sua fé ou crença nele e que se você mísero mortal, não depositar sua falível crença será condenado ao fogo eterno do inferno?  Fechar nossos olhos quanto ao passado tenebroso da maior religião do mundo ocidental, é negar a morte de milhares de inocentes no percurso da história da humanidade. E se não prestarmos atenção quanto ao nível de intolerância religiosa que estamos chegando, é certo que o Homem, pouco evoluiu, mesmo se passando séculos. 

Felizmente, a fé e a religião são totalmente diferentes, pois uma sustenta-se perfeitamente sem a outra. E as palavras Dele, foram ditas ao ar livre, longe de templos luxuosos e expostas para quem tivesse ouvidos para ouvir e olhos para ver. A intolerância é uma presença constante no dia-a-dia aliando-se ao "pre-conceito" e ninguém está totalmente livre delas. São chagas da nossa humanidade que devem ser combatidas não com a espada, mas com a aceitação de que não existe APENAS UM caminho para se chegar até Ele. E que se seu caminho é diferente ao do irmão, não quer dizer que seja a trilha errada. Cada um traça com seus próprios passos seu próprio caminho, descobrindo que a Centelha Divina adormece interiormente dentro de cada individuo.