20 de abril de 2024

Notas melancólicas...

 

Hoje, enquanto escrevo, percebi que estou a espera de um milagre. Às vezes, sinto que as coisas não fazem o menor sentido. Hoje eu o nomeei como o dia da "melancolia". A lembrança de um dia cinzento, entediado, sem movimento. A calmaria demais é algo que me incomoda. Reflexo, talvez, do meu TDAH ou é o fato que as vozes do inconsciente coletivo gritam para que as mudanças sejam reais e me alcancem? 

É surreal ver o tanto de gente que pegou dengue nesse início de ano. Eu ainda não peguei. Mas, se algum dia eu pegar, tenho certeza que é porque há água parada em mim. Há águas que estão paradas, proliferando e disseminando doenças. 

Essa sensação de frustração é decorrente de não ter ainda realizado o propósito da minha vida? O que dá para fazer agora, Universo? As escolhas refletem quem queremos ser. 

Hoje, vi que minha coleguinha de infância, se tornou uma terapeuta holística e taróloga também. Bateu uma inveja. Amarga inveja. Será que é esse o sentimento correto? Ela nasceu em um berço rico, pais bem instruídos e presentes. Ela nasceu em um lar não destruído, teve um campo fértil para florescer todas suas potencialidades e ampliar sua visão de vida. Ela já estava nesse caminho que os pais prepararam ao longo de suas vidas. O que ela fez foi seguir por essa via, aproveitando tudo o que a vida lhe ofertou. Agora, se foi fácil ou não seguir por esse caminho é outra questão. Estou julgando, sendo que eu nem sei se a realidade que ela está apresenta ou não seus desafios. Julgo ela pelas aparentes facilidades quando na verdade, de verdade, nunca sabemos o peso que é ser o outro. 

Minhas notas de hoje são melancólicas. 

Tem sabor de café amargo, intragável. 



22 de fevereiro de 2024

Cachorro e o Prego

Um rapaz estava dirigindo há horas em um deserto. De repente, ele se depara com um posto de gasolina bem simples, com uma bomba de gasolina e apenas um senhor de aproximadamente uns 70 anos de idade, sentado em uma cadeira de balanço antiga e ao seu lado estava um cachorro. O rapaz para o carro e diz:

“Senhor, por favor, encha o tanque para mim.”

O senhor levantou e começou a encher o tanque.

Enquanto fazia isso, eis que o jovem motorista avistava a reação do cachorro que chorava e parava, chorava e parava. O motorista agoniado com o fato, pergunta ao senhor:

“Esse cachorro é do senhor?”

“Sim” – respondeu o senhor.

“Então me responda por que ele não para de uivar?”

O senhor responde: “É porque ele está sentado em um prego.”

“Então por ele não levanta e sai dali?” – indaga o rapaz.

” É que não deve estar doendo tanto – Dói-lhe o suficiente para se queixar, mas não o suficiente para se mexer” – responde o senhor.


Engraçado como essas histórias se encaixam em nossas vivências cotidianas.

Quanto tempo de nossas vidas perdemos reclamando de uma situação? Será que o tempo que gastamos reclamando é proporcional ao tempo que perdemos buscando uma solução? Esse incômodo que você julga sentir é um motivador para procurar agir? Ou você reclama porque não tem mais nada a fazer? Ou porque no fundo você gosta dos olhares piedosos, gosta da atenção que te dão quando estão com pena de ti?

Ouvi essa história ontem da minha professora. Ela jogou essa história em mim sem dó nem piedade e doeu para caramba. Doeu porque era verdade e a verdade tem dessas coisas: te fazer encarar suas mentiras e desculpas e depois te libertar do julgo das mesmas.   

Se eu quero que determinado desejo se realize, eu tenho que agir de acordo. Tenho que parar de me queixar, sempre lamentando a falta do que não tenho agora. Enumerar o que falta para me sentir completa não significará nada se eu não agir nesse exato momento e parar de me lamentar pelo tempo perdido, pelas escolhas que fiz e não fiz, por todas as decisões que tomei por impulso e que perdi algo. 

Preciso agir.

Preciso mostrar para meu cérebro e ensinar para ele que continuar abraçada ao incômodo não vai me fazer avançar adiante. Afinal, nos apegamos e criamos como um bichinho de estimação esse negócio chamado incômodo. Mas... todo adeus requer desapego. Estou me desapegando de ti, Sr. Incômodo porque a convivência contigo esses anos todos foi uma experiência sofrida! Não quero que essa dor me definhe e me faça seguir um caminho oposto a qual imaginei para mim. 

Está doendo o suficiente para que eu levante... e avance!



4 de fevereiro de 2024

Minha fase "Low Profile"


Meu momento me pede para fazer o movimento contrário. Estou me retraindo mais uma vez, como um caranguejo que se esconde em seu buraco. Muitos compartilham cada passo de suas vidas em suas redes sociais. Acho que não me identifico mais com esse ato. Parece que a vida dos outros virou uma vitrine virtual. Onde você se encaixa nesse layout chamativo e atraente? Será que ao observar as vidas alheias aparentemente felizes, sua vida também se torna automaticamente feliz? Eu não quero fazer da minha vida uma vitrine aberta. Eu estou entre aqueles que escolheram o caminho inverso, o estilo de vida "low profile". Calma. Só tem 1 mês que desativei tudo. Eu sei. Sempre tenho recaídas. Desativo e tampouco tempo ativo de novo. Mas agora é pra valer.

Sair de redes sociais como Instagram ou Facebook diminuiu notoriamente minha ansiedade e minhas crises emocionais e devo me lembrar disso quando me sentir tentada a voltar para elas. Em uma busca rápida pelo Google, a Associação Paulista de Medicina, em um texto publicado em sua página diz que o uso de redes sociais pode afetar nossa saúde mental: "Redes sociais muitas vezes promovem uma cultura de comparação onde as pessoas podem se sentir pressionadas a comparar suas vidas e conquistas com as dos outros. Isso pode levar à baixa autoestima, sentimentos de inadequação e ansiedade em relação à imagem e status social". 

Longe das redes sociais, estou podendo olhar para outras áreas da minha vida que precisam que eu foque nelas para elevar o patamar que se encontram. Sobra mais tempo para olhar para dentro e repensar o que você está fazendo, repensar no que pode ser mudado e focar para que essa mudança esse real.

Eu ficava com medo de cair na rede do esquecimento, pois as redes sociais me permitiam acompanhar a vida de pessoas que não estão perto de mim. Mas sei que quem é realmente importante para mim, eu vou levar comigo onde quer que eu for, pois o pensamento viaja o tempo-espaço e abraço em pensamento quem não se faz presente fisicamente. 

Agora... é a fase "low profile". 
Mas se você estiver com saudades, manda uma mensagem no whatsaap ou me acompanhe no Youtube.
Ou me chama para tomar um café da tarde. Se me chamar, eu vou!

1 de janeiro de 2024

Esse ano quero...?

 



Mais um ano se inicia! Mais um ano que muitos vão encarar como uma nova chance para colocar em prática seus sonhos, seus projetos e desejos. Da listinha de promessas para serem cumpridas no decorrer do ano que carrego no bolso, existe duas metas em específico que desejo realizar. 

Não fiz mapa dos sonhos dessa vez, não pulei ondinhas e nem mesmo pulei sete vez com um pé só. Não comi romã e nem uvas. Dispensei o branco e roupas novas, não me arrumei para tirar fotinho para postar no feed do Instagram desejando feliz ano novo para todos. Onde estou, é uma espécie de refúgio. Estou com as pessoas importantes para mim, isso é o bastante. Todos nós 5, escolhemos "fugir" do centro urbano, da barulheira, das conversas infrutíferas para um lugar tranquilo, rodeado de natureza, rodeado de vida. E aqui, junto com a natureza fiz  2 pedidos  e sei que não basta fazê-los e esperar que Deus os realize para você. Ambos são pedidos que envolve minha dedicação e meu esforço para querer mudar alguns pontos da minha realidade que não me trazem satisfação pessoal. 

É um ano que se inicia sem muitos pedidos, sem estresse e ansiedade, sem muitas cobranças,. Estou iniciando esse ano com a certeza que a vida sempre encontrará um jeito para organizar as coisas mesmo que você tenha vivenciado períodos confusos. E sei que o que mentalizo hoje para mim, a vida vai encontrar um jeito de realizar no tempo certo!

Espero que você, meu querido(a) leitor, esteja bem e com a mesma certeza no coração que tudo passa e as coisas se organizam naturalmente... 

18 de dezembro de 2023

Meu quebra-cabeça colorido


Eu comentei em uns post para trás que estava fazendo uma avaliação Neuropsicológica a fim de saber se de fato tinha algo de errado comigo, pois eu não achava que era muito normal. E após 12 sessões, 1 por semana, eu recebi meu diagnóstico: sou autista, nível 1 de suporte e tenho TDAH com predominância em desatenção

Confesso que já suspeitava. Tem um vídeo aqui no Youtube falando sobre os 100 sinais leves que toda mulher autista adulta expressa e me identifiquei com todos. O que me levou a procurar uma ajuda clínica foram minhas inconstâncias emocionais, minha sensibilidade, meus sentimentos de frustração, minha memória de curto prazo, meu sentimento de incapacidade e também meus problemas de comunicação e fala. 

Ter o diagnóstico de autista em mãos está me fazendo dar uma volta no passado (mais uma vez), mas desta vez com um olhar mais clínico e mais compreensivo com minha infância. Como era difícil para mim fazer amizades, manter amizades, ter que me esforçar para conviver com as pessoas, conversar com pessoas, cumprimentar, olhar nos olhos e a lidar com cargas de responsabilidades familiares que não eram compatíveis com minha idade, com minha condição. Eu lembro como era muito engraçado a forma como eu cumprimentava as pessoas: cumprimento de mão a mão, sem beijos ou abraços. Só fui melhorar esse aspecto em mim anos depois... com muita percepção e ainda hoje, em algumas situações, isso não é espontâneo. Eu achava que essa falta de trejeitos sociais era herdado dos meus antepassados japoneses, afinal, japonês carrega o estigma de "coração de gelo". 

Lembro-me (ainda que a minha memória não seja algo 100% confiável) de olhar para as outras meninas e desejar ser "normal" como elas: passar um baton, arrumar as unhas, usar maquiagem, usar um vestido, ser feminina, participar das danças escolares. Essa impressão ficou marcada em mim e ali eu já tinha uma percepção que algo acontecia comigo, algo não muito normal. Eu me sentia mais confortável com roupões masculinos, blusonas, camisetas ... roupas que não me apertava muito. 

E além da dificuldade para lidar com minhas questões de identidade e sociabilizar, confesso que mesmo sentando na primeira carteira da sala, minha nota nunca foi uma das melhores. Enquanto o professor dava aula, lá estava eu, desenhando. Vivia com a mente sabe lá onde! Minhas notas escolares sempre foram medianas. Nunca fui muito boa nas matérias escolares. Mas o teste revelou um "QI" acima da média onde somente 16% da população o tem e tenho comigo um feito que não é para muitos: a nota máxima (mil) na redação do Enem. Em 2011, dos 4 milhões de participantes do Enem, somente 3,7 mil tiraram a nota máxima. Ou seja... eu estou entre esses 3,7 mil pessoas que alcançaram a nota máxima da redação. Talvez, esses "feitos" sejam o suficiente para me fazer acreditar que não sou burra. Eu só não sou normal, mas não vou subestimar minha inteligência mais. 

Eu ainda tenho muito o que fazer. 

Com o diagnóstico em mãos, vou atrás de um neurologista e ano que vem, quero começar uma terapia, prometo, vou fazer terapia.

Por hora vou parar por aqui... depois escrevo mais!