30 de março de 2025

O silêncio de amar...

 


Captei algo no ar. Uma onda de sentimentos que por tanto tempo permaneceram sem palavras me atingiu em cheio, e, por um instante, tudo fez sentido. O amor sempre esteve ali. Sempre. Invisível aos olhos distraídos, sufocado pelo medo, escondido atrás da indiferença. Mas nunca deixou de existir.

Céus, como as pessoas podem ser tão complicadas? Para alguns, é um desafio imenso comunicar-se com o coração, despir-se do orgulho e dizer, sem reservas, o quanto se ama alguém.

Eu vi amor naqueles olhos. E vi também remorso. Vi desejo, mas também medo. Vi sentimentos sufocados pelo tempo, pela pressa, pelo esquecimento. Eles apenas deixaram de olhar um para o outro com a alma, de enxergar no outro o reflexo do próprio coração.

Muitas vezes, seguimos anestesiados, sem perceber a importância real das pessoas em nossas vidas. Só percebemos o valor de algo quando não o temos mais ao alcance das mãos.

Mas será que o amor precisa estar sempre ao alcance para existir? Será que sua força depende da presença, do toque, da certeza? Talvez o amor verdadeiro não resida na posse, mas na liberdade. No espaço entre dois seres que, apesar da distância, seguem ligados por algo maior do que o tempo e o espaço.

Talvez o amor não seja sobre permanecer, mas sobre reconhecer. Sobre sentir, ainda que em silêncio, que nunca estivemos realmente sós.

26 de março de 2025

Aceitar, Aprender, Seguir




O destino se desenha nas linhas invisíveis da existência com seu inigualável charme, convidando-me a dançar ao ritmo dos seus mistérios. Quase não consigo acompanhar seus passos, quase me esqueço do acaso e das coincidências. Um sorriso amarelo, um olhar cansado, uma roda de conversa vazia, um dia de chuva com o sol ardendo no céu—o destino está ali, sempre à espreita, aguardando a imprevisibilidade do momento, aquele breve instante em que não estou mais no controle.

Talvez algumas situações sejam predestinadas, traçadas pelo espírito para cumprir um propósito maior. Nem sempre cabe a mim compreender os porquês, nem tudo se revela à luz da razão. Mas posso aceitar o mistério e absorver as lições que a vida, incansável, se propõe a ensinar.


E assim, sigo em frente, dançando com o desconhecido, permitindo que o destino desenhe seus traços sobre minha pele. Nem tudo precisa de explicação—algumas respostas estão escritas no silêncio, no intervalo entre um passo e outro.

Abraço a incerteza, entrego-me ao fluxo da vida. O controle escapa, mas a liberdade me encontra.

E, no fim, talvez seja isso: confiar que, mesmo sem compreender, estou exatamente onde deveria estar.

Oração da Serenidade


"Deus, concedei-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para perceber a diferença".

Entre Sonhos e Esquecimentos

 


O tempo escorre por entre meus dedos, levando você junto, como areia fina deslizando sem resistência. Sinto sua presença se dissipar dos espaços que cuidadosamente construí dentro de mim, deixando apenas o eco do vazio. Um vento suave atravessa a janela do nosso quarto, sussurrando palavras indecifráveis, trazendo consigo o fantasma de um cheiro familiar—memória de uma época em que éramos jovens, inocentes, transbordando sonhos e desejos.

Mas o tempo, implacável, desgastou nossos anseios, esmagou sentimentos, sepultou esperanças. Vi você me enterrar sob a dureza das suas palavras, enquanto meu coração, em um último ato de resistência, guardava uma versão idealizada sua. Lá ela permaneceu, oculta na penumbra do meu subconsciente. De tempos em tempos, sua sombra ressurge nesse mundo onírico, e por um instante, quase acredito que ainda há um fio invisível nos ligando.

Mas preciso soltar o que já não existe para que o novo encontre espaço. O que não pulsa mais deve morrer. Não há mais razão para lutar ou sofrer. Entre tantos que querem certezas, escolho abrir mão da necessidade de estar certa.

E assim, posso renascer em outro lugar.

 

2 de fevereiro de 2025

Eu já não pertenço a esse lugar

 


A cada dia que passa, a verdade se revela com mais nitidez: eu não pertenço a este lugar. Minha alma, em sua infinita busca por liberdade, recusa-se a permanecer acorrentada – à sombra do passado, às dúvidas que me assombram, à presença que já não me acolhe. Há coisas que, por mais que tentemos reconstruir, jamais voltam a ser como antes. O vidro quebrado pode até ser colado, mas jamais recuperará sua forma original. Assim também sou eu. Assim também é esse ciclo que chegou ao fim.

Mas quando tudo começou a ruir? Em que momento esse abrigo, que um dia me pareceu seguro, tornou-se uma prisão sufocante? Talvez nunca tenha sido um lar verdadeiro, apenas um cenário temporário, uma ilusão de pertencimento. E agora, enquanto os escombros desse mundo desabam ao meu redor, sei que preciso partir. Mas partir para onde? O desconhecido assusta, e dar um salto sem garantias parece loucura... Mas e se for exatamente essa loucura que me falta? E se for nesse salto de fé que reside minha libertação?

Fecho os olhos e peço a Deus que me mostre o caminho. 

Que a porta se feche para sempre, sem espaço para arrependimentos, sem margens para retrocessos.

Será que além desses destroços... hei de encontrar um lugar onde minha alma possa florescer com toda sua plenitude?