Captei algo no ar. Uma onda de sentimentos que por tanto tempo permaneceram sem palavras me atingiu em cheio, e, por um instante, tudo fez sentido. O amor sempre esteve ali. Sempre. Invisível aos olhos distraídos, sufocado pelo medo, escondido atrás da indiferença. Mas nunca deixou de existir.
Céus, como as pessoas podem ser tão complicadas? Para alguns, é um desafio imenso comunicar-se com o coração, despir-se do orgulho e dizer, sem reservas, o quanto se ama alguém.
Eu vi amor naqueles olhos. E vi também remorso. Vi desejo, mas também medo. Vi sentimentos sufocados pelo tempo, pela pressa, pelo esquecimento. Eles apenas deixaram de olhar um para o outro com a alma, de enxergar no outro o reflexo do próprio coração.
Muitas vezes, seguimos anestesiados, sem perceber a importância real das pessoas em nossas vidas. Só percebemos o valor de algo quando não o temos mais ao alcance das mãos.
Mas será que o amor precisa estar sempre ao alcance para existir? Será que sua força depende da presença, do toque, da certeza? Talvez o amor verdadeiro não resida na posse, mas na liberdade. No espaço entre dois seres que, apesar da distância, seguem ligados por algo maior do que o tempo e o espaço.
Talvez o amor não seja sobre permanecer, mas sobre reconhecer. Sobre sentir, ainda que em silêncio, que nunca estivemos realmente sós.